Sem saída | Fábio Campana

Sem saída

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Requião enfrenta um dilema que não é de somenos – nem as restituições de multas do governo federal salvam o governo.

O caixa estourou. Se Requião confirmar todos os aumentos de salários que encaminhou e que foram aprovados na Assembléia, compromete os investimentos futuros pelos próximos três anos.

Ou seja, Requião passará a administrar apenas a folha de pagamento do funcionalismo. Estará amarrado a uma situação que ele próprio criou.

Se não der os aumentos, terá reconhecido o fracasso da gestão financeira e administrativa do Estado, o que representaria a admissão de que este mandato está destinado a ser apenas uma longa agonia.

Requião insiste em atribuir ao governo de Jaime Lerner as mazelas que colhe agora. Acontece que durante os quatro anos anteriores, quando administrou corretamente o aumento real de receitas em função da dilação de prazo do ICMS das empresas instaladas por Lerner, tudo andou bem.

Agora, as finanças entraram em desequilíbrio, entre outras, porque cometeu equívocos primários. O mais grave talvez seja o da compensação de ICMS com créditos em precatórios. Foi necessário ver o fundo do poço para que o governador Requião se convencesse do erro e decretasse a suspensão da medida.

Além disso, as despesas cresceram rapidamente com o número de cargos comissionados, multiplicação de secretarias e assessorias especiais, aumento espetacular dos salários de secretários e o efeito em cascata sobre os demais cargos comissionados.

Assim caminha a humanidade. O desastre financeiro deixa o homem em crise, agastado, pronto para chutar o balde. E, convenhamos, não foi por falta de aviso.


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