Pura paúra | Fábio Campana

Pura paúra

Não há argumento ético, político, moral ou ideológico que possa justificar a expulsão de Reinhold Stephanes Jr. do PMDB.

A ameaça que ele recebeu e que o fez repensar a subordinação ao grupo dirigente foi uma violência política que se iguala àquelas cometidas nos tempos do regime fardado.

Afinal, Stephanes fez o que qualquer cidadão de boa consciência faria. Votou a favor da instalação de uma Comissão Especial de Investigação sobre os gastos do governo em propaganda. Parte-se do princípio de que o próprio governo tem interesse na investigação, desde que provada sua constante declaração de honestidade.

Ora, pois, a reação furiosa contra Stephanes mostrou que a turma do governo treme quando alguém fala em investigação. Um observador da vida palaciana registrou momentos tragicômicos de personagens acometidos de frouxos intestinais diante da notícia de aprovação da Comissão.

Há medo. Muito medo. Medo de que a verdade constrangedora salte da Comissão Especial de Investigação e acabe estimulando outras. Mais do que isso, há medo de que se esboroe o dique de contenção das denúncias contra o governo que se acumularam na Assembléia.

A ameaça de expulsar o Junior dos Stephanes serviu para restabelecer a omertá, o cala a boca, a lei do silêncio.Em uma palavra, chantagem, pois a expulsão ameaça o próprio mandato.

Passadas as encenações de truculência, entrou em campo o time do deixa disso que garante que Stephanes vai recuar em suas perorações sobre a Comunicação do governo. Só não pode mudar o voto e impedir que a Investigação prossiga. Esta é outra tarefa para o guardião da caixa preta, Luís Cláudio Romanelli.


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