Piá pançudo | Fábio Campana

Piá pançudo

Das doenças infantis, sem dúvida, a pior é o radicalismo raivoso e inconseqüente que caracteriza alguns grupelhos do PMDB nativo. 
  
Faz mais danos que sarampo, catapora, caxumba e coqueluche juntos. Isso já ensinava Lênin, mas até ele deixou de ser lido pela esquerda funcionária que não lê.
  
Renato Adur, presidente do PMDB nativo, que o diga. Ele tenta equilibrar o jogo num partido em que a tigrada quer impor a sua vontade sem levar em consideração as diferenças de opinião e de estilo.
  
Não deve ser fácil para o Adur controlar os ímpetos infantis da moçada que quer porque quer expulsar o Reinhold Stephanes Junior, o que se pode chamar de comportamento de piá pançudo, diria Aníbal Curi. 
 
O PMDB é um organismo extenso, complexo, que mantém tênue unidade sob o comando do governador Requião. Para vencer as eleições e empalmar o poder no Paraná, o PMDB transformou-se em conglomerado de diversas correntes de pensamento político e foi isso que o tornou forte e competitivo.
  
Na verdade, partidos como o PMDB precisam ser amplos, abertos, guiam-se pelas inclinações e oscilações da opinião pública ou da massa de seus partidários, de cujas preferências, em última instância, depende a sorte de seu condottiere.
  
Mas essa compreensão nem sempre está ao alcance de todos os que o compõe. O PMDB do Paraná também alberga grupelhos confessionais que são fechados, disciplinados, dirigidos de cima para baixo, obedientes a uma doutrina que pouco tem a ver com a realidade.
  
Seus intérpretes são chefetes de muitas certezas e poucas luzes. Mas neste caso, a tigrada usa a força da relação doméstica de seu líder com o governador Requião, que não negaria jamais a uma vontade do irmão, ainda mais sendo o caçula.


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