O preço e a claque | Fábio Campana

O preço e a claque

Há quem acredite que todo homem tem um preço. É comum que quem o diga tenha o seu e faça alarde das virtudes que põe à frete.

Requião diz que a imprensa critica o seu gover-no porque não recebe dinheiro dos cofres públicos. As-sim, pretende a absolvição prévia da opinião pública diante das denúncias de corrupção que transformaram este mandato em escândalo permanente.

Ontem, em seu destempero habitual, atacou a revista Idéias da qual sou editor e acusou-me de não ter princípios, pois está convencido de que mereceria elo-gios se pagasse por eles.

Ora, pois, é bom que se façam algumas revela-ções. No inicio deste ano, Requião convidou-me para que integrasse seu governo como secretário especial. Fez mais. Garantiu que financiaria a revista Idéias se eu me engajasse em seu projeto presidencial.

Há testemunhas de suas propostas. Uma delas é o chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro. Não aceitei o convite do governador Requião. Nem a sua disposição de “ajudar” a revista. Respondi a ele que entre as razões para recusar o convite havia uma intransponível. Em-blemática. Jamais compareceria à escolinha das terças para aplaudi-lo, um dos preços que impõe aos seus secretários.

Não é a única razão, mas ela é suficiente para explicar as demais. É impossível manter a dignidade e ao mesmo tempo servir a um governo cujo autoritaris-mo e personalismo doentio do chefe se expressam na exigência patética de compor a claque.

Não. Para alguém como eu não há o que pague por esse tipo de humilhação. Agora, imaginem vocês como funciona esse governo que expõe a sua face nessa bufonaria das terças. O terrível é saber que quem paga por tudo isso somos nós, os cidadãos. Mas não há mal que sempre dure.


Um comentário

  1. quarta-feira, 13 de junho de 2007 – 15:53 hs

    Antes de tornar-me assinante da revista Idéias, pedia para algum parente que mora aí em Curitiba comprá-la para mim. Não precisei ler muitas edições para perceber a seriedade da linha editorial. Gostei, exatamente porque nunca encontrei elogios gratuitos ao governo.
    Multifacetado comunicador Fábio Campana, vai daqui a solidariedade de um leitor que admira o seu trabalho digno, sempre muito bem informado, corajoso e que não se acovarda. Torço para que a violência verborrágica do Requião surta o efeito contrário à sua equipe de produção quinzenal da revista, ou seja, funcione como estímulo! É oportuno lembrar do pensamento filosófico de Martin Luther King: “Não é a violência de poucos que me assusta, mas o silêncio de muitos”.

    Abraços, extensivos aos colaboradores!

    José Antônio Rezzardi
    Pato Branco – PR.

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