La donna è móbile | Fábio Campana

La donna è móbile

Aníbal Curi defendia a idéia de que elogio em política é como remédio, tem prazo de validade.

Sustentava que nenhuma declaração elogiosa com mais de duas semanas poderia ser invocada, pois a opinião dos políticos muda naturalmente com enorme rapidez e segundo as conveniências.

O próprio Requião, que se especializou em comparar antigas declarações de aliados com o que eles dizem agora sobre ele, depois que se transformaram em desafetos, também muda de opinião sobre os parceiros sem o menor constrangimento.

Basta ver os desbragados elogios que Requião fez a Paulo Pimentel, José Richa, Maurício Fruet, Beto Richa, Alvaro Dias, Osmar Dias, Euclides Scalco e tantos outros quando deles dependia para vencer uma parada eleitoral.

Ora, pois, é comparar com o que diz agora dos mesmos personagens quando estes deixaram de ser seus aliados. Desce a borduna sem nenhum constrangimento. Aliás, igualzinho ao que fazem todos os políticos nati-vos. Sem por nem tirar.

Requião é tão volúvel em suas relações quanto La donna é móbile na ópera Rigoletto, de Verdi. “Qual piuma al vento muta d’accento e di pensiero”. Mas o faz com incrível desfaçatez e com tal convicção que parece ser o único político coerente desta praça.

Agora, vejamos. Nas eleições deste ano, Requi-ão oscilou da esquerda quando Lula parecia perdido à direita para receber as vantagens de acompanhar o tu-cano Geraldo Alckmin. No mesmo tom, passou de fã inconteste de Beto Richa no primeiro turno, quando pretendia seu apoio, a inimigo figadal depois que o pre-feito apoiou Osmar Dias.

Ora, pois, Requião é o último dos políticos nati-vos em condições de exigir coerência e lealdade, logo ele que muda de idéia e de aliado com mais freqüência do que muda a camisa.


4 comentários

  1. Durval
    quarta-feira, 27 de junho de 2007 – 14:44 hs

    Digite seu comentário aqui.
    O senhor “pescoço de nelore” pensa que não temos memória.

  2. cavalo
    quarta-feira, 27 de junho de 2007 – 17:45 hs

    Requião não merece nenhuma credibilidade. É um político como outro qualquer, com os as mesmas qualidades (raras) e defeitos, apesar do esforço para se mostrar diferente. Alguém se lembra como o ogvernador se comportou quando integrantes do PMDB do PR foram envolvidos no mensalão? Nenhuma palavra, sendo ele o chefe maior do partido no Estado. Quando é para botar a mão na massa, atacar problemas de fato, o governador se cala estrategicamente. Talvez até porque não saiba mesmo o que dizer. Ressuscitou Lerner (com a retórica tola e sem nenhuma ação prática para recuperar a grana que foi perdida na publicidade), além de figuras ilustres como Marcos Batista, Greca, e outros mais que pipocam em carguinhos nesse terceiro mandato cansado e tosco de idéias.

  3. Gringa
    quarta-feira, 27 de junho de 2007 – 18:50 hs

    Bem, mas num outro blog da capital sempre fazem paidinhas dizendo que ele não muda de camisa nunca… Sempre jeans azul delavë…
    Então porque dizer que ele muda de idéia como muda de camisa..?
    Não entendo vocës bloguistas… Pois não são vocës que dizem tambem que ele é empacado, teimoso, obstinado ?
    Na teima dos transgënicos ele não mudou de idéia…No caso dos pedágios tambem não, no caso da venda do Banestado, etc..
    Como podem dizer que ele não tem palavra ou que é volúvel ?
    São tantos os defeitos que vocës veem nele que eu seriamente, por mais que tente, não consigo ver.
    Deveriam olhar para ele com o respeito que merece um governador receber, pelo seu trabalho de todos estes anos em proll do Estado e das coisas públicas.
    Se não podem reconhecer isso, tenham pelo menos o respeito que tem para com outras pessoas comuns…

  4. CLAUDIO
    quinta-feira, 28 de junho de 2007 – 10:03 hs

    Requião não merece ser ouvido. Logo logo até os próprios aliados, sejam da Assembleia ou secretários, não mais defenderão. Aquele apelido antigo dele continua apropriado.

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