Jogo de cena | Fábio Campana

Jogo de cena

Há algo que o governo Requião já não consegue esconder. O caixa está vazio. Não há dinheiro para todos os programas e para o custeio que cresce todos os meses.

A única saída para esse aperto de caixa imaginada pelo governo Requião é o perdão da multa de R$ 10 milhões que o Paraná recolhe todos os meses porque não paga os títulos podres que ficaram com o Itaú na privatização do Banestado. E o recebimento do que já pagou e que deve dar algo em torno de R$ 200 milhões.

Requião quer porque quer que o governo federal fique com os títulos podres e devolva algum para o Paraná. Não é algo que dependa da vontade política do presidente Lula ou do ministro Paulo Bernardo, como o governador Requião diz.

O deputado André Vargas, do PT, lembra que foi ele, Requião, quem impediu que os mesmos títulos podres fossem absorvidos pelo governo federal na renegociação da dívida do Paraná. Na época, Requião era senador, o governador era Jaime Lerner, e ele fez de tudo para deixar o mico com o adversário político.

André Vargas revela que a Secretaria do Tesouro já fez o possível para minimizar o problema do Paraná. Recalculou a dívida, reduziu juros, eliminou correções e a dívida desceu de R$ 1,5 bilhão para R$ 750 milhões. A multa que era de R$ 10 milhões mensais, agora é de apenas R$ 6 milhões.

A boa vontade do governo Lula é flagrante, diz Vargas. Só não é possível eliminar a dívida, porque isso seria uma irresponsabilidade do governo federal e abriria a mesma possibilidade para os outros estados.

Não é sem razão que os estados do sul, também endividados, apoiaram o pleito do Paraná. Eles querem a mesma benesse que Requião está pretendendo.

Ora, pois, esse imbróglio só se resolverá se o Senado da República, que aprovou as negociações anteriores, aprovar agora as mudanças pretendidas pelo Paraná. O resto é jogo de cena.


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