Incompatibilidade | Fábio Campana

Incompatibilidade

Heron Arzua deixou a Secretaria da Fazenda. Diz o Luís Geraldo Mazza que esta é mais uma prova de que a inteligência, o talento e a competência se tornaram incompatíveis com o governo Requião.

Ora, pois, Arzua é dos raros quadros que davam equilíbrio ao governo. E é sua a melhor iniciativa do período Requião, que foi o programa de redução de impostos para estimular a economia engessada, entre outras, pela falta de investimentos públicos.

Mas nem Arzua, com toda a sua aparência de Jó, conseguiu manter reservas de paciência suficientes para continuar a suportar o uso constante de dois pesos e duas medidas que caracterizam o governo Requião. Sem contar as interferências emotivas do pessoal doméstico que é colocado pelo morubixaba acima de qualquer suspeita.

De resto, Arzua sabe que cumpriu seu papel e com méritos. Afinal, o Estado que temos é o desastre que sabemos na sua qualidade de criatura dos mandachuvas, instituídos ou constituídos, tanto faz, pelo sistema do caciquismo. O Estado, este mesmo que lamentamos, resulta das precariedades e das contradições de nossa sociedade.

Arzua assume outra função numa secretaria especial. Volta à advocacia. Mas dizem os mais próximos que na verdade ele administra a sua saída definitiva do governo. Sinal de sabedoria. Deixar uma secretaria no governo Requião exige engenho e arte para evitar o tiroteio na trincheira.

Os senhores deste governo parecem ter-se enredado no seu jogo arlequinesco, de sorte que já não conseguem distinguir, eles próprios, entre verdade e mentira, entre fato e ficção, e preferem sempre montar a sua versão. Essa que é oferecida ao distinto público na manhã das terças pela tevê oficial.


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