Fogo amigo | Fábio Campana

Fogo amigo

Volto a lembrar daquele filme do Cantinflas, em que o cômico mexicano se dirige aos membros de sua quadrilha e pergunta: vamos nos comportar como cavalheiros ou como aquilo que sempre fomos?

Na semana, Requião reuniu seus secretários e fez algo parecido com o Cantinflas. Exigiu de todos que deixem de se comportar como sempre foram e passem a ser cavalheiros, ao menos entre eles.

A preocupação de Requião tem sentido. A troca de tiros na trincheira tem sido uma característica de seu governo. Para alegria da oposição, que penhoradamente agradece pelas escaramuças e pela enxurrada de denúncias.

Inevitável. Por mais que Requião imponha sua autoridade e exija comedimentos, a rapaziada se estapeia. A difícil convivência entre pessoas e grupos da mais variada extração política e ideológica dá nisso, um tiroteio sem fim.

A falta de um projeto comum agrava a crise permanente. As disputas de espaço e da simpatia do chefe volta e meia expõem as entranhas do governo, mostrando áreas contaminadas pela corrupção.

O efeito imediato se vê na relação tumultuada entre os secretários e destes com a base de apoio político na Assembléia. E no comportamento dos grupelhos de militantes de vocação squadrista que tratam de espalhar a boataria.

Diga-se que estes militantes de movimentos de meia confecção são atiçados pelo medo de perderem prebendas, benesses e os cargos em comissão criados para manter em sossego cabeças pretensamente pensantes.

Essa tigrada gosta do Estado-Mecenas, nem mais nem menos que os empresários gostam do Estado Pronto Socorro. Todos querem o amparo rápido, abrupto, porém seguro, do Príncipe, do Suserano, do Senhor, do Pai.

Quem prefere ficar de cabeça acesa, de certo já vive uma grande depressão.


Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*