Amargo regresso | Fábio Campana

Amargo regresso

Não há nada mais desagradável que regressar de alegre expedição para o cotidiano repleto de problemas.

Requião voltou. Muito fatigado pela viagem, informam os áulicos. Muito mais pesado que na partida, pois o repasto foi lauto, comentam os domésticos. Apesar de tudo, mais calmo, cochicham apreensivos assessores da primeira linha de defesa palaciana.

Só não se sabe ao certo sobre os resultados práticos dessa expedição ao Japão com direito a estadia em Paris na ida e na volta, para por a cabeça em ordem.

Mas há quem garanta que a viagem rendeu maravilhas, entre elas a promessa de investimento japonês no Paraná. O deputado Alexandre Curi, que fez parte da comitiva, não tem dúvidas sobre o sucesso da longa viagem ao oriente e diz que logo, logo, teremos uma fábrica de pneus da Yokohama por aqui.

Tudo bem, como soem repetir as almas parvas, agora é preciso esperar para ver se o esforço e a despesa valeu a pena. A banda da oposição duvida e faz pouco da excursão que foi e voltou ao outro lado do mundo em silêncio absoluto.

Aqui, muito barulho. Requião se depara com a briga que tumultua suas hostes. A agenda não é boa. Os gastos do governo em comunicação social serão investigados.

Tem mais. A Assembléia terá que marcar a data de convocação de Rogério Distéfano e Botto de Lacerda sobre o escândalo da Sanepar.

É dose. Para completar a onda negativa, a oposição pegou no pé do governo para saber porque Nonato Cruz, advogado e jornalista flagrado em conversações telefônicas interceptadas pela operação Navalha está lotado na Casa Civil.

Como diz o deputado Jocelito Canto em sua meridiana simplicidade, “é muito batom na cueca para fazer de conta que nada aconteceu”. 


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