A aritmética palaciana | Fábio Campana

A aritmética palaciana

Nessa confusão de números do balanço das contas do Estado no último quadrimestre de 2006, sobram dúvidas, farpas e o interminável bate-boca entre palaci-anos e a oposição.

O povo, pasmo diante do imbróglio, percebe que nem sempre dois mais dois são quatro na aritmética da banda do Requião. Às vezes, lembra o nosso Dante Mendonça, pode ser cinco.

 O deputado Elio Rusch não entende, por exem-plo, a razão para o governo publicar dois balanços. “No mínimo, é suspeito”, observa. Rusch garante que a opo-sição estuda como reagir ao fato. E mais: cogita sugerir a Secretaria do Tesouro Nacional auditar as contas do governo paranaense.

O secretário Heron Arzua, com paciência infini-ta e sem nunca perder a calma, o que o distingue dos demais governistas, procura explicar. Ele reconhece que o Paraná tem uma dívida de R$ 620 milhões com a Pa-ranáPrevidência que foi retirada do balanço das contas a pagar.

De acordo com o secretário, essa dívida vai ser quitada em 27 anos e não pode entrar como dívida ime-diata a pagar. Se é assim, no mínimo houve equívoco dos técnicos da Fazenda. Arzua diz que isso é resultado da necessidade de fazer quatro tipos de balanço para órgãos diferentes de fiscalização.

A banda de música de Requião reage. “Tem muita torcida contra o governo. Mas na segunda-feira o Heron Arzua vai explicar tudo, tintim por tintim”, a-nuncia Luiz Cláudio Romanelli, líder do governo na Assembléia.

Ele acredita que o deputado Reni Pereira está “equivocado”. “Fica óbvio que o governo tem superávit de R$ 291 milhões”, afirma Romanelli. Reni Pereira quer, agora, ouvir o que o governo tem a dizer para convencê-lo de que não houve maquiagem no balanço. E de que dois mais dois são quatro, por mais que o go-verno não goste.


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