A arapuca | Fábio Campana

A arapuca

Há quem acredite que Requião armou uma arapuca para si mesmo. Dispensou aliados, brigou com os mais competentes, agarrou-se à pequenez do doméstico e ficou sem futuro.

Ou seja, não tem nem mesmo candidato à sucessão. Terá que se atrelar a um projeto alheio para salvar-se do desconforto de entregar o governo para um desafeto ou um inimigo, que esses não lhe faltam.

Talvez por isso há um grupo de homens de bom senso no PMDB muito preocupados com o tiroteio interminável na política nativa. Pedem trégua ao governador Requião que, como se sabe, gosta mesmo é de atirar.

Requião tem lá suas convicções. E, de fato, a democracia existe exatamente para isso. Não para evitar os confrontos, mas para vencê-los; para permitir que as divergências e os conflitos de interesse ou de opinião se manifestem e sejam resolvidos em termos razoavelmente civilizados, sem o sacrifício das liberdades públicas, é claro.

A crise atual, vale dizer, as incertezas de um governo que passados quatro meses deste segundo mandato consecutivo ainda não começou a governar, está aí escancarada.

Mas não devemos perder as esperanças, aconselha o sábio Luís Roberto Soares. A hesitação do governo, que oscila entre a omissão, um dia, e a reação exagerada na semana seguinte, pode ser útil ao processo de amadurecimento de nossa sociedade.

O que Soares sugere é que na medida em que formos forçados pela crise a encarar uma realidade que não gostamos de ver e que é, afinal, a realidade de nós mesmos e do Paraná, nos capacitaremos a ultrapassar os estágios atuais do populismo chinfrim, do caciquismo, do caudilhismo, para nos aproximarmos, enfim, da contemporaneidade do mundo.

Haja otimismo.


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