Tartufaria | Fábio Campana

Tartufaria

Conservador e populista – com esses qualificativos, muitos jornalistas estrangeiros apresentam Roberto Requião aos seus leitores.

Baseiam-se, provavelmente, mais ainda que nos antecedentes políticos de Requião, ou nas suas origens familiares, no figurino tradicionalista de seu discurso.

Muitas promessas de combate à corrupção e à politicagem. Escassas definições, afora o célebre compromisso da opção pelos pobres que per omnia secula fez destes a maioria crescente.

No recheio de sua pregação, Requião usa sempre dos ingredientes para transformar os oponentes em ateus, devassos e corruptos, enfim, em gente de moral duvidosa.

O passado pode ser enterrado, ou reparado. Qualquer um tem direito a mudar de idéia e atitude. Mas o proselitismo de Requião repete os chavões e aposta no medo dos abastados e na ignorância dos grotões, conforme um modelo conservador e populista.

Trata-se de impor a sua versão a todo custo, sem economia de golpes baixos, favorecendo a versão em lugar do fato, em nome de um interesse geral que, na prática, foi sempre o da minoria que comanda.

Admita-se que Requião saiba o que diz quando fala em socialismo e tece elogios ao modelo chavista da Venezuela. Faltam provas, porém. Nestes primeiros meses de terceiro mandato, Requião se lança contra os adversários que quase o derrotaram com uma ferocidade incrível, ao mesmo tempo em que fala em modernidade, com expressão que supera Tartufo, aquele fantástico herói da hipocrisia.

De moderno, esse estilo não tem coisa alguma. Não é por acaso que o Paraná chegou ao estado em que se encontra, graças à ignorância dos grotões e ao medo dos abastados. E à incompetência crônica da outra banda que ajuda a armata requianista a permanecer no poder. 


Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*