Tarde demais | Fábio Campana

Tarde demais

Dizia Aléxis de Tocqueville que o futuro é um juiz esclarecido e isento, mas que infelizmente chega sempre tarde demais.

Basta ver o que Requião diz hoje de Luís Inácio Lula da Silva para perceber que ele mudou radicalmente de opinião sobre o presidente. Antes, bordoadas. Agora, elogios incondicionais.

Seu julgamento atual certamente é melhor e mais exato porque observa a experiência, avalia os fatos, deixa de lado o vício da previsão catastrófica. O problema é que agora já não serve de grande coisa.

Mas não deixa de ser surpreendente. Afinal, não é comum ver Requião assumir seus equívocos. Talvez a visita do papa Benedito XVI tenha produzido no homem milagroso surto de humildade.

Vamos aos fatos. Diante de empresários do comércio de todo o país, reunidos em Foz do Iguaçu, Requião fez extensa autocrítica sobre as suas declarações contra a política econômica do governo Lula nos anos de seu primeiro mandato.

Lembram? Lula, Palocci, Meireles, Mantega e Paulo Bernardo eram vítimas diárias das boutades do governador que costumava anunciar, em tom sinistrótico, que esses senhores levariam o país à desgraça.

Agora, Requião admite que Lula estava certo. Em tudo. Inclusive na política cambial e de juros, que derrubou o dólar. Naqueles tempos, Requião acreditava que a queda do dólar destruiria a indústria nacional. Não sabia que estava defendendo interesses do empresariado nativo acostumado ao protecionismo.

Ora, pois, o futuro chegou, os tempos mostraram que todas as análises de Requião & sua equipe de futurólogos eram furadas. O prestígio de Lula subiu. Requião, que antes namorava com os tucanos, agora não esconde a esperança de vir a ser o escolhido por Lula para sucedê-lo.


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