Tangos e tragédias | Fábio Campana

Tangos e tragédias

Nestes dias, Orlando Pessuti viu o espetáculo “Tangos e Tragédias” no Teatro Guaíra. Teve frouxos de riso que impressionaram os vizinhos de poltrona.

Talvez lhe ocorresse naquele momento alguma similaridade entre o país da Esbórnia criado por Nico Nicolaievski e Hique Gómez e o Estado que neste momento ele dirige como substituto de Requião.

Pessuti é refém de um esquema político onde desempenha o papel de vice sem força para mudar as determinações do titular. Mesmo quando estas determinações atentam contra a razão.

Ora, pois, Pessuti é candidato natural do PMDB à sucessão de Requião. E para tentar fazer valer o seu projeto terá que suportar as injunções da convivência durante os próximos três anos.

Com exceção dos candidatos à santidade ou a um alto posto de governo, ninguém sofre porque quer. Há quem acredite que Orlando Pessuti não tem alternativa e por isso se obriga a suportar os destemperos de Requião e sua troupe.

Assim caminha a humanidade. O dilema de Pessuti é que sua candidatura depende de bom desempenho do atual governo e ele não pode entrar em contradição com Requião mesmo quando percebe que o melhor caminho para o Estado é outro.

Que fazer? Perguntaria Lenine. Sonha quem imagina que o Paraná tem condições de atingir a curto prazo índices de progresso dignos da contemporaneidade do mundo. Mas delira quem acredita que o Estado se sacrifica para o bem da América Latina.

Nem por isso frustrações e recalques deixam de estimular as formas mais primitivas de nacionalismo e as mais tolas expressões de ufanismo. Esvai-se o último resquício de espírito crítico e inaugura-se a busca de conspicuidade onde há mediocridade e de heróis onde há pobres-diabos.


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