Requião atormentado | Fábio Campana

Requião atormentado

Estudado por teólogos, o governador Requião surpreenderá por uma semelhança com o Altíssimo: ambos sabem tudo.

     Requião, aparentemente, leva uma vantagem, dispõe de uma televisão onde aparece a hora que quer, quando quer, para anunciar ao povo que está combatendo os demônios que o atormentam e o mais terrível de todos é a imprensa.

     Requião costuma surgir na telinha para anunciar ao povo amedrontado: deixem comigo. Consta que Deus nunca chegou a tanto.

     Estudado por democratas, o governador não causará impressão tão favorável. Os democratas costumam respeitar as instituições e não se permitem julgamentos prévios de quem quer que seja. No mais, um democrata é sempre um homem tolerante e disposto a ouvir as razões que lhe apresentam.

     Estudado por historiadores, Requião, apesar do garbo com que conduz sua montaria e do tamanho large de seu paletó, parecerá pequeno se comparado com outros governantes.

     Os líderes do porte de Bento Munhoz da Rocha, Ney Braga ou José Richa jamais se abalariam a submeter a testes o seu poder, como se estivessem atirando da porta de um bar desafios para quedas de braço.

     Quem manda sem esforço, não chama ninguém para o confronto. A autoridade não se afirma com palavras ou palavrões. Basta praticá-la, naturalmente.

     Mas é bom que o governador fique de olho vivo. Há gente na tigrada que o cerca que diz “muito bem, muito bem” sem a convicção de antanho. Outros agem pavlovianamente, têm os reflexos condicionados. Falta, contudo, aos membros da caterva o temor de outros tempos, que garantia o temor reverencial ao simples tilintar das esporas.
 


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