Repertório antigo | Fábio Campana

Repertório antigo

Requião visita o Japão. O porta-voz palaciano imagina a presença do governador arrepiando as ruas de Tóquio. O povo, agitado, a comentar com um misto de espanto e encanto: chegou o Requião.

 Requião nem chegou ao oriente e já há notícias de seu sucesso no papel de shogum visitante. O homem está ancorado em Paris, degustando bouillabaisse, apreciando bons vinhos, acompanhado de inquieta caterva que não se cansa de ir às compras.

Mas a turma de casa tem imaginação fértil. Diz ela que Requião circula pela França e Japão em missão de Estado vital para o futuro de todos nós.

O sociólogo francês Alain Touraine ensina que a estrela de figuras populistas à moda antiga ainda brilha nestas plagas porque do lado oposto há um pessoal ignorante demais.

Aqui, Requião domina a cena. Na oposição um time pequeno e ainda incapaz de dar o seu recado ao grande público. Fica evidente que não adianta emplumar-se de pássaro tropical se o povo não entende o pio.

Touraine é mestre em ciências políticas e ironia. Esclarece que a modernidade nesta área do planeta depende da resistência do populismo, que há décadas faz sucesso. Desde o terço de Adhemar de Barros até a pregação chavista do governador do Paraná, há sempre uma promessa de renovação sempre bombástica e jamais cumprida.

Vitória eleitoral vale qualquer disfarce. Inclusive o do moralismo chinfrim que encanta a pequena-burguesia nativa imersa em sua ignorância ancestral. Essa que acredita que o fim da corrupção será a cura para todos os males da pátria amada.

Que fazer? Se a orquestra não muda, é de se crer que toque melhor o repertório antigo, pois é o único que conhece de verdade. 


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