Por que parou? | Fábio Campana

Por que parou?

Por que parou a investigação sobre as falcatruas no Ceasa que renderam um extenso relatório do ouvidor Luiz Carlos Delazari ao governador Requião?

Três diretores foram mandados embora e ficou tudo por isso mesmo. Mas ainda faltaria ouvir um deles para compreender o que realmente acontecia por lá. É o que garantem os responsáveis pela investigação.

Ordens de cima para engavetar o processo? É a única explicação plausível, pois nenhuma outra força a não ser a do chefe supremo poderia paralisar um processo tão importante e delicado.

Há indícios. Garante uma testemunha ocular da história que se fosse rastreada a conta bancária de certo nepote em agência do Juvevê, tudo ficaria exposto como esgoto a céu aberto. Inclusive os tentáculos do dono da conta em outros órgãos da administração.

É claro que isso poderia complicar as relações no centro do poder. Cabe a pergunta: essa foi a razão para interromper a investigação? O preço da estabilidade é o cala-boca geral, mesmo que a situação seja injusta para alguns dos envolvidos?

O temor é o de que todas as investigações tenham o mesmo destino. O cala-boca. A omertá. O silêncio obsequioso para evitar escândalos e explicações, além do mau humor da turma do rapa.

É muita maracutaia para esconder embaixo do tapete das conveniências. Afinal, não houve um dia deste mandato que não tenha sido marcado pela denúncia de um desvio, de negociata, de um contrato suspeito, de benevolente aditivo pago a empreiteiras, de apólice de seguro fraudada ou de ONGs faturando os tubos por serviço que o Estado já faz às expensas do dinheiro público.

Tudo bem, insistem as almas parvas, a bater palminhas para os factóides criados para desviar a atenção da platéia.


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