PCdoB na encruzilhada | Fábio Campana

PCdoB na encruzilhada

O PC do B nativo vive um dilema. A moçada do gomidismo, seita interna que segue Ricardo Gomyde e por ele se subordina ao Palácio Iguaçu, tem o seu rumo orientado pela bússola do clã Requião.

O gomidismo prefere apoiar o candidato a prefeito de Requião ou lançar candidatura própria em Curitiba, sempre que esta fórmula atenda as conveniências do PMDB.

Mas o PC do B é maior e mais complexo do que imaginam os meninos da linha Country Clube. Há a rapaziada que pensa, antes de tudo, no partido e continua a sonhar com a emancipação do proletariado.

Esta gente acredita que o PC do B pode lançar candidato próprio se for um nome que represente as posições e os princípios dos comunistas. Nesta perspectiva, a candidatura de Gomyde está excluída.

No máximo, o autêntico PC do B aceita apoiar uma candidatura de esquerda em Curitiba. A de Gleisi Hoffmann, do PT, que, aliás, foi militante do PC do B nos anos de chumbo e é mais respeitada nessa área que o próprio Gomyde.

Acontece que o PC do B tem crescido muito na outra ponta. Incorporou lideranças de trabalhadores das maiores fábricas de automóveis, por exemplo. Este time não se sente representado publicamente pela figura de Gomyde. Nem acredita que Requião seja o guia genial dos povos ou o timoneiro da revolução.

Gomyide sabe disso. Tanto sabe que recentemente pensou em deixar o PC do B para se albergar no PMDB ou noutra sigla onde pudesse expandir seus projetos pessoais.

Agora, é o PC do B que terá de optar entre as vantagens de compor a esquerda prebendarista que se agita nos gabinetes ou se lançar à luta em outra frente, mais clara, definida, onde não há barganha de princípios por cargos públicos.


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