O povo não é bobo | Fábio Campana

O povo não é bobo

      Muitos de nossos políticos são assim feitos: quando não podem dominar os fatos, conjuram os espíritos. É mais fácil.

      Requião insiste que todas as denúncias de corrupção contra o seu governo são mentiras criadas pela imprensa. Mesmo quando os fatos são claros e confirmados e mesmo quando a denúncia parte de dentro do próprio governo.

      Vamos por partes, como aconselharia Jack, o estripador. Antes de iniciar este segundo mandato consecutivo, Requião recebeu da Ouvidoria alguns relatórios que o deixaram irritadíssimo. Denunciavam corrupção em várias áreas do governo.

      Ficou, então, sabendo que na Ceasa havia um caixa dois, compras superfaturadas e outras barbaridades. Relutou em aceitar os fatos mas acabou demitindo toda a diretoria. E deu tudo por terminado e guardado no baú. “E não se fale mais nisso”.

      Soube também que na Secretaria de Obras praticava-se o que os engenheiros chamam de indústria dos aditivos, ou seja, o mau costume de aumentar o valor dos contratos licitados. Os empreiteiros adoram.

      Pintou a denúncia da compra de remédios especiais que levou Requião a paralisar todas as aquisições pela Secretaria da Saúde. Resultado: em vez de punir os corruptos da secretaria, puniu os que precisam dos remédios que cercaram o Palácio Iguaçu para protestar.

      A lista é enorme. Por último, a denúncia sobre os aditivos da Sanepar para a empresa Pavibrás. Sem contar apólices fraudadas e gastos obscenos na comunicação da empresa.

      Tudo bem, repetem as almas parvas palacianas. Agora o deputado Marcelo Rangel deixa a moçada do governo com azia e dor de cabeça. Cabe a pergunta: é tudo mentira da imprensa ou o governo exagera ao acreditar na eterna imbecilidade do povo?


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