Notável desfaçatez | Fábio Campana

Notável desfaçatez

Ontem, os deputados estaduais tiraram folga. Mais uma, que nenhum deles é de ferro. Para faltar na quinta e espichar o final-de-semana, realizaram duas sessões na quarta. 

Agora, pasmem. As duas sessões da quarta foram interrompidas pela súbita falta de quorum promovida pela turma do governo, que assim evitou que a oposição pedisse informações sobre assuntos que irritam o governador Requião. 

Como se vê, os protagonistas nativos daquilo que em Stratford-upon-Avon seria chamado de uma comédia de erros, comportaram-se com notável desfaçatez nesta semana que para os deputados começou na terça e terminou na quarta. 

Enquanto isso, Requião está há dez dias entre Paris e Tóquio, dividindo-se pachorrentamente entre os prazeres da mesa, a companhia de um séqüito considerável de áulicos, e o eventual proselitismo para empresários japoneses de forma a justificar a viagem.

Nada o preocupa. Aqui, o fiel escudeiro Romanelli cuida para que nada turve a ausência do chefe. A um gesto seu a obediente bancada governista abandona o plenário e inviabiliza qualquer tentativa de aprovação de pedidos de informação.

De resto, temos o novo escândalo federal, pois os da terrinha permanecem lacrados em relatórios que não podem ser divulgados, segundo ordens do próprio governador.

Assim caminha a humanidade. Quanto mais aumentam os indícios e as provas de corrupção, mais distantes ficam as chances de convocação de uma CPI na Assembléia Legislativa. Há, até, quem acredite que por baixo dos panos a banda governista conseguiu selar um acordo com a moçada da oposição. 

Pode? Pode. Como ensina Luís Roberto Soares, em política tudo é possível e quando se trata da política nativa, nada deve surpreender.


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