Idade da Pedra | Fábio Campana

Idade da Pedra

O cortês leitor talvez tenha tropeçado, em outras leituras dos últimos dias, na expressão “moratória técnica”.

Ela significa que o governo do Paraná não pretende pagar a multa de R$ 10 milhões mensais por conta daqueles títulos podres que o Banco Itaú herdou do Banestado na privatização.

Títulos do Sergipe, de Santa Catarina, Osasco e Pernambuco que nenhum banqueiro, em sã consciência, receberia. Títulos podres.

Acontece que essa multa pesa no orçamento estadual, pois a arrecadação anda curta, não só pela concessão de isenções a rodo, mas porque alguns contribuintes de peso estão em recesso.

O principal deles é a Petrobras, que parou para reformar a refinaria de Araucária.

A capacidade de investimento do Paraná é mínima. E ficará ainda menor depois do impacto que a elevação de salários anunciada pelo governo vai provocar na folha do funcionalismo.

Pior. O aumento dos salários não satisfaz nenhuma das categorias. O mal-estar entre o funcionalismo é evidente, o que poderá significar manifestações defronte ao palácio Iguaçu neste inverno.

Resumo da ópera: se o Paraná fosse uma empresa, estaria pedindo concordata, ou iria à falência, garantem alguns técnicos da Fazenda.

Estados não falem, porém, como firmas, sem detrimento de outra falência, que se impõe à constatação dolorosa de quem, ao menos, tiver um olho: a falência das chamadas classes dirigentes, neste pobre país dado ao uso impróprio das palavras, entre outras a palavra classe.

Falência geral, em política e economia, da inteligência e da moral. O “Paraná do futuro”, ao longo das décadas, conduzido por esses timoneiros, progrediu foi no sentido da idade da pedra.


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