Cínicos e ingênuos | Fábio Campana

Cínicos e ingênuos

Brindes ao champanhe do Centro Cívico às estrebarias do Cangüiri. Os absolutamente cínicos e os absolutamente ingênuos da roda palaciana estão come-morando mais um lance da novela do abafa escândalo.

Cínicos e ingênuos rejubilam-se porque acredi-tam que foi afastada a ameaça imediata de uma CPI da Sanepar que poderia ir fundo no caso da Pavibrás, aque-le que desatou o nó dos aditivos generosos, da apólice fraudada de seguro e dos gastos obscenos em comuni-cação.

Teremos capítulos extraordinários. Palpitantes. Vêm aí os depoimentos do ex-procurador geral do Es-tado, Sérgio Botto de Lacerda, e do ex-diretor jurídico da Sanepar, Rogério Distéfano. Os dois sabem muito e sempre brigaram para impedir que os desmandos che-gassem onde chegaram.

Por isso mesmo já não estão mais em seus pos-tos. O primeiro por cansaço. Estafa. Enfrentou toda a maquinaria política instalada no governo. O segundo foi defenestrado. Não cedia um milímetro em suas convicções.

Botto de Lacerda é amigo de Requião, o gover-nador. Mas sabe separar as relações do mundo privado de suas obrigações como homem público. Distéfano não tem amigos no núcleo do poder e nem se mostra disposto a resguardar quem quer que seja. A tigrada palaciana já iniciou a campanha para desgastá-lo ao máximo antes do depoimento.

O problema é que a crônica dos rombos e estou-ros registra, nos últimos tempos, algumas dezenas de episódios parecidos com esse da Sanepar.

Cabe a pergunta: a tropa de cínicos e ingênuos acredita que poderá levar a farsa por quatro anos sem que o imenso público perceba? Sinceramente, é confiar demais na imbecilidade da plebe ignara.


Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*