Caso de polícia | Fábio Campana

Caso de polícia

A política virou caso de polícia. Há mais fatos dignos de página policial do que assunto sobre o confronto entre o poder e a oposição, em torno dos grandes planos, das obras e até das intenções.

Aqui, como em Brasília, a luta da moçada palaciana é para evitar a instalação de CPIs. Lá, o pessoal do PMDB faz de tudo para abortar uma investigação em regra das empreiteiras. Aqui, na terrinha, ocorre o mesmo. O governo permite tudo, menos beijo na boca e investigação dos aditivos da Pavibrás.

Nesse jogo, quem se desgasta de verdade são os deputados da bancada palaciana. Obrigados a realizar manobras constantes para evitar pedidos de informação, têm se evadido do plenário e sustentado teses que são de uma desfaçatez homérica. Entre elas, a de que investigações parlamentares só levam a instabilidade política. 

Complexa, rara, é a personalidade do timoneiro Requião. Na tentativa de desestabilizar o governador, ninguém tem sido mais eficaz do que o próprio. Eficacíssimo. Requião e os seus planos presidencialistas nunca passaram por maiores perigos do que neste instante. 

A volta do governador ao cargo fez-se no vazio do segundo mandato consecutivo sem novidades de governo e com sobras de denúncias de corrupção que sobraram do mandato anterior. Até a mudança na Secretaria de Agricultura, extremamente positiva, perdeu-se no noticiário sobre as maracutaias que inundam o noticiário.

Nesta circunstância, quem fica com Requião além dos tecelões dos imbróglios palacianos? A rigor, nitidamente, com truculenta adesão, só mesmo o irmão secretário de Educação, Maurício, que ademais exerce o papel de condottiere do Estado.

Além dele, quem apóia Requião age contingentemente, pronto a roer-lhe o mandato e a autoridade.


Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*