Às avessas | Fábio Campana

Às avessas

O governo acaba de realizar uma reforma às avessas com a criação da Controladoria Interna do Poder Executivo. Em vez de reduzir estruturas, cria-se mais uma que se sobrepõe à Ouvidoria Geral do Estado.

 Interessante. A Ouvidoria é dos poucos órgãos do governo considerados eficientes. Seria esta uma maneira de eliminar suas iniciativas?

 Ora, pois, nos últimos meses o ouvidor Luiz Carlos Delazari entregou vários relatórios ao governador Requião. Dava conta de maracutaias e falcatruas comprovadas em várias áreas do governo.

 Algumas, para refrescar a memória: o caso do Ceasa, onde se viu de tudo, de desvios financeiros a compras superfaturadas e o inevitável caixa dois.

 Outra: na Secretaria do Trabalho, a Ouvidoria descobriu que a gestão do Padre Roque cometia o pecado da redistribuição dos salários. Além de privilegiar algumas ONGs. E há o caso da Sanepar. E tantos outros.

 Por que o governador Requião não divulga esses relatórios e não os encaminha para o Ministério Público? Só ele pode dizer. A verdade é que criou outro órgão que poderá substituir as funções da brava Ouvidoria conduzida por Luís Carlos Delazari. E a oposição aceita.

 Na guerra, como no amor, vale tudo. Por que não na política? Se a oposição é bastante fraca ou bastante tímida para ir engolindo todos os sapos, por maiores que sejam; se a própria Assembléia é incapaz de afirmar a sua independência e seu poder diante do executivo, é óbvio que a responsabilidade por tantas fraquezas não pode ser atribuída exclusivamente aos dons maquiavélicos de Requião.

 É o Paraná inteiro (o Paraná político, ao menos) que é macunaímico, getuliano, e não apenas o palácio e seus ocupantes.


Um comentário

  1. José Antônio Rezzardi
    sexta-feira, 18 de maio de 2007 – 9:55 hs

    Simplificar para que se complicar é mais fácil.
    Um amigo que mora na lavoura, sempre que vem pra cidade dá uma passadinha aqui no meu escritório, para “um dedo de prosa”.
    -Joca, quanto tempo! Como vai a vida, o trabalho, a família?
    A resposta é sempre a mesma.
    -Quanto mais pelior pra nóis, mais mior pro governo, nénão?
    -É, Joca… Aceita um café? Chimarrão não temos aqui, só lá em casa.

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