A toque de caixa | Fábio Campana

A toque de caixa

Nesse episódio da aprovação à toque de caixa das vontades do governo, a principal vitória de Requião foi, sem dúvida, demonstrar que mantém seus deputados sob rédea curta.

Ou seja, aprova o que quer. Descarta o que não quer. Inclusive CPIS. E ninguém da tropilha governista se sente constrangido. Nem mesmo quando se trata de aprovar um aumento de salário para o funcionalismo que não tem data certa para entrar em vigor. 

Trocando em miúdos, não há aumento real. Mas o governo pode dizer que aumentou os salários sem que isso se verifique na prática, no bolso dos funcionários. Uma “invenção da modernidade”, segundo o condottie-re de Requião na Assembléia, Luís Cláudio Romanelli.

Outra esperteza foi extinguir a Serlopar e con-servar os cargos em comissão do órgão para serem pre-enchidos através da Casa Civil. Os políticos nativos há muito engendram maneiras de enganar a população. Mas agora atingiram o sublime.

O governador tem idéias muito peculiares a res-peito do Estado que desgoverna e dos humores das massas, em geral. Ele acha que o povo é sempre aquele: bom, paciente, ordeiro – cordial em suma. E não cansa de repetir que se não fosse a insistência crítica da im-prensa nativa tudo correria às mil maravilhas.

Enfim, não seria preciso pedir ao deputado Luís Cláu-dio Romanelli para lembrar ao distinto público, com aquela gravidade de um sashimi mal digerido, que o governador merece respeito.

Respeito, como se sabe, não é um fruto do me-do, como a submissão. Anote-se, também, que não há imprensa capaz de encrespar o povo se ele está satisfei-to.

Mas isso tudo, em matéria de engodos, ainda não é nada. Os atores da bancada governista prometem muito mais, inclusive engavetar relatórios como o das falcatruas na Ceasa.


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