A força do medo | Fábio Campana

A força do medo

Há uma grande dificuldade para alinhavar 18 assinaturas para um pedido de CPI da Sanepar na Assembléia, embora mais de vinte deputados tenham participado assiduamente das reuniões da oposição.

O drama é na hora de assinar o requerimento. Há sempre uma desculpa, uma ausência, e não poucas vezes a evidência de que alguns oposicionistas têm o rabo preso.

A verdade, nua e crua, é que a CPI da Sanepar só não é convocada porque nem todos os deputados de oposição, inclusive alguns dos mais notórios, estão dispostos a afrontar o governo e receber o troco que Requião costuma dar aos desafetos.

Não fosse isso e o líder Valdir Rossoni já teria entregado à Mesa da Assembléia o documento que está redigido há semanas. Tecnicamente perfeito. Sem erros, tantas foram as revisões nesse período em que o líder aguardava a definição de alguns.

O que temem os deputados que se esquivam? Ora, pois, sempre há uma denúncia pessoal, um esquema para desmoralizar este ou aquele, além das retaliações que o político passa a receber em sua base eleitoral. O jogo é bruto. Pesado. Quem está nessa sabe que virá chumbo do grosso no tiroteio. Talvez a maneira de levar as assinaturas necessárias seja divulgar o nome dos que vão assinando e o dos faltosos.

Assim caminha a humanidade. Às vezes, quem manda mesmo é o medo. Nem todos o chamam assim, mas o nome certo é medo mesmo. Nem sempre a velocidade com que avança se explica à luz da razão, mas quem recua diante dele, freqüentemente exibe uma expressão de esperteza.

Há quem diga que o medo não existe sem a coragem, como a luz não existe sem a sombra. A coragem, no entanto, tem sido mercadoria rara, o que talvez explique o fato de que ainda vivemos na sombra.


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