'Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez', diz FHC | Fábio Campana

‘Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez’, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou nesta quinta-feira, 20, uma carta “aos eleitores e eleitoras” na qual faz uma análise do atual momento político brasileiro a menos de três semanas da eleição presidencial. No documento, FHC faz um apelo pela união do centro político nas eleições 2018 – o fato de as pesquisas apontarem a polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) levou o PSDB a procurar o ex-presidente, como mostrou a edição do Estado desta quinta-feira.

“Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política”, escreveu. “Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez. Como nas Diretas-já, não é o partidarismo, nem muito menos o personalismo, que devolverá rumo ao desenvolvimento social e econômico.”

Confira, no Leia Mais, a íntegra da carta.

Carta aos eleitores e eleitoras

Fernando Henrique Cardoso

Em poucas semanas escolheremos os candidatos que passarão ao segundo turno. Em minha já longa vida recordo-me de poucos momentos tão decisivos para o futuro do Brasil em que as soluções dos grandes desafios dependeram do povo. Que hoje dependam, é mérito do próprio povo e de dirigentes políticos que lutaram contra o autoritarismo nas ruas e no Congresso e criaram as condições para a promulgação, há trinta anos, da Constituição que nos rege.

Em plena vigência do estado de direito nosso primeiro compromisso há de ser com a continuidade da democracia. Ganhe quem ganhar, o povo terá decidido soberanamente o vencedor e ponto final.

A democracia para mim é um valor pétreo. Mas ela não opera no vazio. Em poucas ocasiões vi condições políticas e sociais tão desafiadoras quanto as atuais. Fui ministro de um governo fruto de outro impeachment, processo sempre traumático. Na época, a inflação beirava 1000 por cento ao ano. O presidente Itamar Franco percebeu que a coesão política era essencial para enfrentar os problemas. Formou um ministério com políticos de vários partidos, incluída a oposição ao seu governo, tal era sua angústia com o possível despedaçamento do país. Com meu apoio e de muitas outras pessoas, lançou-se a estabilizar a economia. Criara as bases políticas para tanto.

Agora, a fragmentação social e política é maior ainda. Tanto porque as economias contemporâneas criam novas ocupações, mas destroem muitas outras, gerando angústia e medo do futuro, como porque as conexões entre as pessoas se multiplicaram. Ao lado das mídias tradicionais, as “mídias sociais” permitem a cada pessoa participar diretamente da rede de informações (verdadeiras e falsas) que formam a opinião pública. Sem mídia livre não há democracia.

Mudanças bruscas de escolhas eleitorais são possíveis, para o bem ou para o mal, a depender da ação de cada um de nós.

Nas escolhas que faremos o pano de fundo é sombrio. Desatinos de política econômica, herdados pelo atual governo, levaram a uma situação na qual há cerca de treze milhões de desempregados e um déficit público acumulado, sem contar os juros, de quase R$ 400 bilhões só nos últimos quatro anos, aos quais se somarão mais de R$ 100 bilhões em 2018. Essa sequência de déficits primários levou a dívida pública do governo federal a quase R$ 4 trilhões e a dívida pública total a mais de R$ 5 trilhões, cerca de 80% do PIB este ano, a despeito da redução da taxa de juros básica nos últimos dois anos. A situação fiscal da União é precária e a de vários Estados, dramática.

Como o novo governo terá gastos obrigatórios (principalmente salários do funcionalismo e benefícios da previdência) que já consomem cerca de 80% das receitas da União, além de uma conta de juros estimada em R$ 380 bilhões em 2019, o quadro fiscal da União tende a se agravar. O agravamento colocará em perigo o controle da inflação e forçará a elevação da taxa de juros. Sem a reversão desse círculo vicioso o país, mais cedo que tarde, mergulhará em uma crise econômica ainda mais profunda.

Diante de tão dramática situação, os candidatos à Presidência deveriam se recordar do que prometeu Churchill aos ingleses na guerra: sangue, suor e lágrimas. Poucos têm coragem e condição política para isso. No geral, acenam com promessas que não se realizarão com soluções simplistas, que não resolvem as questões desafiadoras. É necessária uma clara definição de rumo, a começar pelo compromisso com o ajuste inadiável das contas públicas. São medidas que exigem explicação ao povo e tempo para que seus benefícios sejam sentidos. A primeira dessas medidas é uma lei da Previdência que elimine privilégios e assegure o equilíbrio do sistema em face do envelhecimento da população brasileira. A fixação de idades mínimas para a aposentadoria é inadiável. Ou os homens públicos em geral e os candidatos em particular dizem a verdade e mostram a insensatez das promessas enganadoras ou, ganhe quem ganhar, o pião continuará a girar sem sair do lugar, sobre um terreno que está afundando.

Ante a dramaticidade do quadro atual, ou se busca a coesão política, com coragem para falar o que já se sabe e a sensatez para juntar os mais capazes para evitar que o barco naufrague, ou o remendo eleitoral da escolha de um salvador da Pátria ou de um demagogo, mesmo que bem intencionado, nos levará ao aprofundamento da crise econômica, social e política.

Os partidos têm responsabilidade nessa crise. Nos últimos anos, lançaram-se com voracidade crescente ao butim do Estado, enredando-se na corrupção, não apenas individual, mas institucional: nomeando agentes políticos para, em conivência com chefes de empresas, privadas e públicas, desviarem recursos para os cofres partidários e suas campanhas. É um fato a desmoralização do sistema político inteiro, mesmo que nem todos hajam participado da sanha devastadora de recursos públicos. A proliferação dos partidos (mais de 20 na Câmara Federal e muitos outros na fila para serem registrados) acelerou o “dá-cá, toma-lá” e levou de roldão o sistema eleitoral-partidário que montamos na Constituição de 1988. Ou se restabelece a confiança nos partidos e na política ou nada de duradouro será feito.

É neste quadro preocupante que se vê a radicalização dos sentimentos políticos. A gravidade de uma facada com intenções assassinas haver ferido o candidato que está à frente nas pesquisas eleitorais deveria servir como um grito de alerta: basta de pregar o ódio, tantas vezes estimulado pela própria vítima do atentado. O fato de ser este o candidato à frente das pesquisas e ter ele como principal opositor quem representa um líder preso por acusações de corrupção mostra o ponto a que chegamos.

Ainda há tempo para deter a marcha da insensatez. Como nas Diretas-já, não é o partidarismo, nem muito menos o personalismo, que devolverá rumo ao desenvolvimento social e econômico. É preciso revalorizar a virtude da tolerância à política, requisito para que a democracia funcione. Qualquer dos polos da radicalização atual que seja vencedor terá enormes dificuldades para obter a coesão nacional suficiente e necessária para adoção das medidas que levem à superação da crise. As promessas que têm sido feitas são irrealizáveis. As demandas do povo se transformarão em insatisfação ainda maior, num quadro de violência crescente e expansão do crime organizado.

Sem que haja escolha de uma liderança serena que saiba ouvir, que seja honesto, que tenha experiência e capacidade política para pacificar e governar o país; sem que a sociedade civil volte a atuar como tal e não como massa de manobra de partidos; sem que os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver, a crise tenderá certamente a se agravar. Os maiores interessados nesse encontro e nessa convergência devem ser os próprios candidatos que não se aliam às visões radicais que opõem “eles” contra ”nós”.

Não é de estagnação econômica, regressão política e social que o Brasil precisa. Somos todos responsáveis para evitar esse descaminho. É hora de juntar forças e escolher bem, antes que os acontecimentos nos levem para uma perigosa radicalização. Pensemos no país e não apenas nos partidos, neste ou naquele candidato. Caso contrário, será impossível mudar para melhor a vida do povo. É isto o que está em jogo: o povo e o país. A Nação é o que importa neste momento decisivo.


12 comentários

  1. Sergio R.
    quinta-feira, 20 de setembro de 2018 – 21:19 hs

    Chegou atrasado e perdeu o trem.

  2. Palpiteiro
    quinta-feira, 20 de setembro de 2018 – 21:26 hs

    Insensatez é essa carta. Quando teve a oportunidade de apoiar o impeachment de Lula, calou-se e avalizou mais dez anos de roubalheira. FHC está caquético e sem juízo.

  3. carlos lacerda
    quinta-feira, 20 de setembro de 2018 – 21:43 hs

    PELAS BARBAS DO PROFETA!!!!!

    FHC é o maior traíra do Brasil!!!

    o Fabio Campana não publica, mas insisto!!! Fernando Henrique entregou o endereço do seu orientador de mestrado e Doutorado – Florestan Fernandes para os militares, em troca de um confortável e rentável exílio na França.

    O que esse cara tem de credibilidade!!

    Ele e Lula dominaram a política nos últimos 20 anos no Brasil.

    Em troca o que recebemos??

    um salto na dívida púbica de 60 bilhões de dólares em 1995 para hoje estratosféricos 4,8 trilhões.

    Um cagueta como esse quer falar de neutralizar os radicais?? vai se confessar, pedir desculpas pelos seus pecados. Ptz esqueci o cara é ateu.

    ACORDA BRASIL!!!!!!!!!!!

  4. Denny Crane
    sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 1:39 hs

    Tem sim FHC. Fala com o Eduardo sobre a quantidade ideal diária a ser queimada, que pode ser que a sensatez volte.

  5. Gladiador
    sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 5:12 hs

    O FHC é a tipificaçao do sujeito que nao sabe a hora de colocar o pijama e ir para casa. Quando abre a boca, nestes ultimos anos é impressionante a verborréia que mais parece uma diarreia de contextos sem nexo. Ele recebeu o Brasil em excelentes condiçoes, depois disso arrebentou o Brasil, fez crescer a esquerda radical que levou o pais a mais profunda ignorancia , e ainda quer dar receitas. Vai para casa FHC,..passou da hora de ir dormir, com o pinico embaixo da cama, se nao quiser usar o fraldao.

  6. Zezão
    sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 8:24 hs

    Lembrando a todos que toda essa corrupção que desmoraliza o Brasil perante o resto do mundo começou no seu Governo, só que naquela época se escondia debaixo do tapete, e há daquele que se atrevesse a investigar, que o diga Alvoro e Osmar Dias que na época apoiaram a criação de uma CPI e foram expulsos do ninho da Tucanada.

  7. sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 9:42 hs

    Esse ancião, além de mentiroso é esquerdalha profissional. Diferente do esquerdalha burro.
    Esse Senhor fez com uma mão, e arrebentou com a outra.
    Tem dito asneiras improcedentes, a ponto de chamar Dilma de Honrada.Ou seja, ela é honrada e o suor do povo é merda. Uma pessoa honrada, não queima 1 bilhão numa sucata que pra nada serve.
    Mas enfim, esquerdopata fiel é assim. O povo que se dane.
    Ja fui fã desse escroto, nunca mais. Outro que está na mesma linha é Requião…ao defender o porco corrupto e ladrão.Conheci Requião como paladino da honestidade,hoje, defende com unhas e dentes o “amigo Lula” polamordedio..

  8. Agricultor
    sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 10:05 hs

    Dissimulado,covarde,infelicitou o país.dicionario

  9. PEDROCA DO SUDOESTE
    sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 10:32 hs

    Daqui uns dias, após as eleições, será o momento do seu FHC e o PSDB fazerem uma grande reflexão, do que fizeram depois das eleições de 2014. Um amontoado de trapalhadas, de besterias, não souberam fazer oposição, depois se juntaram ao governo TEMER,e agora os reflexo estão aí. O partido está desmontado, creio que irão sobreviver poucos . As urnas dirão.

  10. luiz gregório klein
    sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 11:49 hs

    FHC, votei duas vezes em vc, mas na segunda me arrependi, tanto que não votei no Serra, e tbém não votei no lulla ladrão. Gostaria de dar só um recado para vc FHC. Coloque o seu pijama e vá brincar com seu netos. O Brasil não quer mais ouvir suas opiniões sobre política.

  11. eleitor desmemoriado
    sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 15:59 hs

    KKK FHC querendo ser mais real do que o re. O cara quer agora que abracemos a causa perdida da social democracia que, quer confundir com o nome genérico de Centro. E que Centro é este, de esquerda, de direita? O sonho de transformar o Brasil em um país socialista nos levou aos 13 milhões de desempregados, à crise econômica e à recessão. Quem está desempregado precisa de emprego e não de demagogia mas é isto o que FHC nos oferece, estabilidade no continuísmo, é o mais do mesmo. Prefiro dar um salto no escuro do que ficar com o já conhecido que é muito pior do que pular no escuro.

  12. BinLaden
    sexta-feira, 21 de setembro de 2018 – 23:07 hs

    PORQUE NÃO TE CALAS ?
    CALA A BOCA MAGDA DO PSDB..
    Tão se borrando de medo de perder as mamatas,,,
    Vamos quebrar essa estrutura…
    BOLSONARO NELES

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