Descumprimento do teto salarial atrasa o país | Fábio Campana

Descumprimento do teto salarial atrasa o país

Delfim Netto, na Folha de S. Paulo

Poucos observadores do teatro brasileiro recusariam a hipótese de que somos controlados por uma “casta” de burocratas não eleitos sobre a qual, praticamente, não existe controle social.

Organizada em fortíssimo sindicato, criou, para blindar-se, uma cena na qual a simples discussão de seu papel é tachada de “combate sub-reptício à Operação Lava Jato”, hoje, talvez, o único consenso da nossa sociedade.
É preciso afirmar com convicção que o argumento é falso. É mera estratégia defensiva, que, inclusive, tem dificultado as “reformas” de que tanto o país precisa.

A chamada Operação Lava Jato é um ponto de inflexão na história do Brasil. Depois dela, ele nunca mais será o mesmo.

A exposição das vísceras do conúbio criminoso entre o setor privado e o Estado revigorará as nossas instituições. Expor à sociedade eventuais abusos de poder da “casta” privilegiada (que pretende manter-se acima da lei) é, ao contrário, apoiar a Lava Jato.

Não há exemplo melhor para provar a validade desse fato que o seguinte. O artigo mais claro e cuidadoso da Constituição de 1988 é o que fixa os limites da remuneração de todos os servidores públicos. Pois bem. Ele foi transformado em letra morta pela astuta exegese “criativa” dos tribunais superiores!

Em dezembro de 2016, o Senado Federal aprovou um projeto de lei que apenas confirmava o que diz a Constituição sobre salários do serviço público. Logo a “casta” se movimentou e organizou sua defesa, afirmando que o projeto não passava de uma “vingança” contra a Lava Jato.

Na Câmara dos Deputados, seus membros acovardados pelas eventuais consequências da operação não querem ouvir falar do assunto, com receio da “vingança” da “casta”. Basta lembrar que, só agora, em meados de agosto, foi criada a comissão especial para analisar a proposta do Senado Federal…

Nesse meio tempo, o assunto virou um escândalo nacional, com a divulgação na imprensa (graças à liberdade de informação) do desrespeito ao teto constitucional generalizado nos Poderes Legislativo e Judiciário e no Ministério Público, graças à “largueza interpretativa” dos tribunais superiores.

Com um caso espantoso ocorrido em Mato Grosso, a ilustre ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, viu-se na obrigação de tomar a iniciativa e ordenou a todo o Judiciário que publique a remuneração integral dos seus membros e passe a cumprir o teto.

Trata-se de mais um exemplo em que a covardia do Legislativo exigiu a intervenção saneadora do Judiciário. E depois queixam-se do excesso de judicialização da política!


3 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    quarta-feira, 13 de setembro de 2017 – 11:26 hs

    Os duques, marqueses e condes federais e estaduais, em todos os poderes e outros anexos. A nobiliarquia do alto barnabelato, que tem privilégios não sonhados pela nobreza francesa e russa pré-revolucionárias. Esses são os cupins que destroem as estruturas e farão desabar o Estado gigantesco na cabeça da sociedade.

  2. Edson Luiz
    quarta-feira, 13 de setembro de 2017 – 12:04 hs

    Por que os elaborados, refinados, sofisticados e bem letrados verbetes da grande mídia não deixam bem claro, em solar português nativo, ao povo brasileiro que essas essas fortunas, sim pois isso não pode ser só chamado de salário, são pagas exclusivamente a membros do judiciário e do ministério público e não a todos os servidores públicos. Desinformar não é função do jornalismo!

  3. Marrio
    quarta-feira, 13 de setembro de 2017 – 14:26 hs

    Delfim Netto: pessoa que deveria ir desaparecendo aos poucos até o seu triste fim. Somente mais um débil mental com poder neste país. Desse tipo, estamos cheios, saturados.

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