Esquerda nativa desanca Dallagnol | Fábio Campana

Esquerda nativa
desanca Dallagnol

A reação ao Procurador da República, Deltan Dallagnol, nos arraias da esquerda nativa é forte. Primeiro Gleisi Hoffmann postou sua indignação pedindo investigação sobre as atividades de Dallagnol na venda de palestras sobre a Lava Jato. Logo surgiu um longo artigo, na forma de carta (no Leia Mais) de um ex-procurador a fazer severo questionamento sobre o assunto. Artigo que Requião recomendou através do twitter e de suas páginas na rede. Vem aí um debate áspero entre a esquerda e os procuradores da Lava Jato.

Sobre palestras e a apropriação do público pelo privado

por Eugênio José Guilherme de Aragão

Credores têm melhor memória do que devedores (Benjamin Franklin).

​Prezado ex-colega Deltan Dallagnol,

Primeiramente digo “ex”, porque apesar de dizerem ser vitalício, o cargo de membro do ministério público, aposentei-me para não ter que manter relação de coleguismo atual com quem reputo ser uma catástrofe para o Brasil e sobretudo para o sofrido povo brasileiro. Sim, aposentado, considero-me “ex-membro” e só me interessam os assuntos domésticos do MPF na justa medida em que interferem com a política nacional. Pode deixar que não votarei no rol de malfeitores da república que vocês pretendem indicar, no lugar de quem deveria ser eleito para tanto (Temer não o foi), para o cargo de PGR.

Mas, vamos ao que interessa: seu mais recente vexame como menino-propaganda da entidade para-constitucional “Lava Jato”. Coisa feia, hein? Se oferecer a dar palestras por cachês! Essa para mim é novíssima. Você, então, se apropriou de objeto de seu trabalho funcional, esse monstrengo conhecido por “Operação Lava Jato”, uma novela sem fim que já vai para seu infinitésimo capítulo, para dele fazer dinheiro? É o que se diz num sítio eletrônico de venda de conferencistas. Se não for verdade, é bom processar os responsáveis pelo anúncio, porque a notícia, se não beira a calúnia é, no mínimo, difamatória. Como funcionário público que você é, reputação é um ativo imprescindível, sobretudo para quem fica jogando lama “circunstancializada” nos outros, pois, em suas acusações, quase sempre as circunstâncias parecem mais fortes que os fatos. E, aqui, as circunstâncias, o conjunto da obra, não lhe é nada favorável.

Sempre achei isso muito curioso. Muitos membros do Ministério Público não se medem com o mesmo rigor com que medem os outros. Quando fui corregedor-geral só havia absolvições no Conselho Superior. Nunca punições. E os conselheiros ou as conselheiras mais lenientes com os colegas eram implacáveis com os estranhos à corporação, daquele tipo que acha que parecer favorável ao paciente em habeas corpus não é de bom tom para um procurador. Ferrabrás para fora e generosos para dentro.

Você também se mostra assim. Além de comprar imóvel do programa “Minha Casa Minha Vida” para especular, agora vende seu conhecimento de insider para um público de voyeurs moralistas da desgraça alheia. É claro que seu sucesso no show business se dá porque é membro do Ministério Público, promovendo sua atuação como se mercadoria fosse. Um detalhe parece que lhe passou talvez desapercebido: como funcionário público, lhe é vedada atividade de comércio, a prática de atos de mercancia de forma regular para auferir lucro. A venda de palestras é atividade típica de comerciante. Você poderia até, para lhe facilitar a tributação, abrir uma M.E., não fosse a proibição categórica.

E onde estão os órgãos disciplinares? Não venha com esse papo de que está criando um fundo privado para custear a atividade pública de repressão à corrupção. Li a respeito dessa versão a si atribuída na coluna do Nassif. A desculpa parece tão abstrusa quanto àquela do Clinton, de que fumou maconha mas não tragou. Desde quando a um funcionário é lícita a atividade lucrativa para custear a administração? Coisa de doido! É típica de quem não separa o público do privado. Um agente patrimonialista par excellence, foi nisso que você se converteu. E o mais cômico é que você é o acusador-mor daqueles a quem atribui a apropriação privada da coisa pública. No caso deles, é corrupção; no seu, é virtude. É difícil entender essa equação.

Todo cuidado com os moralistas é pouco. Em geral são aqueles que adoram falar do rabo alheio, mas não enxergam o próprio. Para Lula, não interessa que nunca foi dono do triplex que você qualifica como peita. Mas a propaganda, em seu nome, de que se vende regularmente, como procurador responsável pela “Lava Jato”, por trinta a quarenta mil reais por palestra, foi feita de forma desautorizada e o din-din que por ventura rolou foi para as boas causas. Aham!

Que batom na cueca, Deltan! Talvez você crie um pouco de vergonha na cara e se dê por impedido nessa operação arrasa a jato. Afinal, por muito menos uma jurada (“Schöffin”) foi recentemente excluída de um julgamento de um crime praticado pelo búlgaro Swetoslaw S. em Frankfurt, porque opinara negativamente sobre crimes de imigrantes no seu perfil de Facebook (http://m.spiegel.de/panorama/justiz/a-1152317.html). Imagine se a tal jurada vendesse palestras para falar disso! O céu viria abaixo!

Mas é assim que as coisas se dão em democracias civilizadas. Aqui, em Pindorama, um procuradorzinho de piso não vê nada de mais em tuitar, feicebucar, palestrar e dar entrevistas sobre suas opiniões nos casos sob sua atribuição. E ainda ganha dinheiro com isso, dizendo que é para reforçar o orçamento de seu órgão. Que a mercadoria vendida, na verdade, é a reputação daqueles que gozam da garantia de presunção de inocência é irrelevante, não é? Afinal, já estão condenados por força de PowerPoint transitado em julgado. Durma-se com um barulho desses!


13 comentários

  1. Juca
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 12:16 hs

    Não sei se tudo o que o Sr. Dr. Aragão escreveu é verdade. Mas o Sr. quando foi indicado por Jaques Wagner para ser Ministro da Justiça para prestar serviço sujo ao PT. Humilhante para um sujeito tão moralista quanto se intitula. Acho que o Sr. não difere muito dos políticos e daqueles que critica. Afinal fosse tão operoso e dedicado ao Ministério Público não teria pedido aposentadoria aos 58 anos de idade.

  2. segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 12:44 hs

    “A esquerdalha, os PTralhas, e todos os esquerdopatas de plantão estão literalmente desesperados porquê ficaram sem as tetas do estado nas quais mamaram durante os governos do lulaDRÃO e da presidANTA. Sou e sempre fui de direita. Mas deixo um recado nessas linhas: NÃO TENHO CORRUPTO DE ESTIMAÇÃO. Também temos que ser IMPLACÁVEIS com esse pessoal da direita que roubou. Não interessa! CADEIA EM TODOS…” – Profº Celso Bonfim

  3. Carlinhos
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 13:02 hs

    Belo exemplo a quem se diz professor e honesto. Coloca todos os da esquerda no mesmo saco: Esquerdala, PTralhas, esquedopatas.
    Já os de direita, como se intitula, só os que roubaram merecem cadeia.

  4. Sergio Silvestre
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 13:45 hs

    Mas o Dalagnol e Moro virou arroz de festa,e esse now how de pastor e do outro de super -herói tá mais para os ters patetas juntando o outro “ALBINO” com cara de operador de carteado em zona .

  5. Edson Luiz
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 13:49 hs

    JEEEEESUS!!!! Juro que estou de queixo caído.
    Nunca imaginei que um membro do clube de semi-deuses (diga-se membro do MP), mesmo que aposentado, fosse fazer qualquer tipo de crítica aos absurdos reiteradamente praticados por Este Órgão, que se julga sim acima da lei. O tal de Dallagnol então, nem vou criticar, por que afinal de contas sou apenas um pobre cidadão, e Ele pode se irritar comigo, aí estarei condenado por sua absoluta convicção. Perdoi-me por escrever essas palavras e por nascido O Grande Procurados!!!
    Mas voltando ao texto do auto intitulado ex-membro do MPF, parabéns, parece que a aposentadoria lhe fez muito bem, clareou as ideias, conseguistes enxergar um pouco mais que o próprio umbigo, faz me pensar que o ser humano ainda tem esperanças. Vou salvar este texto como relato histórico de resistência.

  6. Do Interior...
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 14:20 hs

    Sr : “ex”. O se. Deve ser ex petê só pelas palavras raivosas.

    O que o povo brasileiro deve se perguntar é: analisando os casos de Lulla, Temer, Aécio, Renan, etc. Eles tem culpa no cartório? A resposta é sim.

    Logo, nestes não se pode votar. Simples assim.

  7. segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 14:38 hs

    Por favor juntem os cacos que sobraram do sr. Dallagnol e coloquem no lixo que os sr. Aragão não deixou pedra sobre pedra, pobre Dallagnol sempre se achou acima do bem e do mal fazendo compras de casas e dando palestras para ganhar um pouquinho mais como se o que ganha é pouco, queria ver ele ganhando um salário como ganha a maioria de seus patrões o povo se sobreviveria.

  8. rodrigues
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 15:13 hs

    Pateta e a vovozinha……..

  9. segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 15:18 hs

    “Para algumas pessoas O FALAR É PRATA E O CALAR É OURO. Sempre escrevo no Blog do Fábio Campana que RESPONDO PELO QUE FALO E ESCREVO. NÃO PELO QUE OS OUTROS ENTENDEM…” – Profº Celso Bonfim

  10. Humberto Bridi
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 15:25 hs

    Palestras do Luladrão são legais.

    Quando não se tem como atacar a Instituição Lava Jato, tenta-se depreciar seus condutores.

  11. João Silva
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 15:34 hs

    Hum… depois dos filhotes rebeldes quererem engolir seus papais, agora os paizinhos resolveram retomar a hierarquia perdida? Que as duas esquerdas (ou o totalitarismo de esquerda dos justiceiros) e os esquerdas país e mentores, se destruam… será bom para o Brasil.
    Corruptos são uma m…porém justiceiros que não respeitam leis são piores. . Que os dois lados se queimem… não precisamos de totalitários, nem através de politica, muito menos através de ternudos e togados

  12. ZéLucasdeNada
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 17:13 hs

    Falando em cartórios … ????

  13. Jotinha
    segunda-feira, 19 de junho de 2017 – 20:12 hs

    Bem, se PT se manifesta a favor, yo soy contra ….

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