Nada será como antes | Fábio Campana

Nada será como antes

Por Nelson Motta

Antes, os políticos justificavam o baixo nível do Congresso dizendo que, para o bem e para o mal, ele era um reflexo do Brasil, representava o que os brasileiros tinham de melhor e de pior. Ou seja, não se podia almejar um Congresso de primeira com um povinho de quinta. E durante muito tempo nos fizeram acreditar que os representantes não eram piores do que os representados. Na semana passada, o povo nas ruas provou o contrário.

As palavras de (des)ordem atingiram frontalmente os partidos, com sua cultura patrimonialista, seus privilégios afrontosos e seu distanciamento da indignação popular, como uma corporação que se apossou do Estado e se une quando seus interesses são ameaçados — como agora. Mas eles querem mais dinheiro (nosso) para os seus partidos.

Contra a corrupção eleitoral, eles propõem o financiamento público das campanhas, com a bolada sendo distribuída proporcionalmente às bancadas dos partidos no Congresso.

Ou seja, PT e PMDB, enquanto para a oposição sobraria uma verba do tamanho da sua pequenez. É a forma mais fácil, e cínica, de um partido se eternizar no poder às custas do dinheiro publico. Por que o Zé Dirceu e o Rui Falcão não mandam a militância para a rua defender esta proposta?

O horário eleitoral e os fundos partidários — que já nos custam muito caro — bastam para equalizar as oportunidades e garantir eleições democráticas.

Empresas não votam, só têm interesses, investem e depois cobram a conta. São os eleitores que devem ajudar as campanhas de seus candidatos com doações individuais limitadas. Na Itália, o Movimento Cinco Estrelas fez 25% dos votos sem verbas públicas, só com pequenas doações individuais. E ideias.

Se a histórica semana passada tivesse acontecido antes, Renan não teria sido eleito presidente do Senado, os juizes não ousariam se dar dez anos retroativos de vale-refeição, os partidos não apresentariam projetos para afrouxar o Ficha Limpa e a Lei de Responsabilidade Fiscal, não dariam a Comissão de Direitos Humanos a Marco Feliciano, e os condenados do mensalão já estariam na cadeia. Foi por essas e outras que ela aconteceu.


5 comentários

  1. cansafa
    sábado, 29 de junho de 2013 – 0:10 hs

    meu dinheiro só de forma indireta…wu

  2. Silva Jr
    sábado, 29 de junho de 2013 – 9:28 hs

    quem não quer o fim do financiamento privado de campanhas defende a raiz da corrupção na política.

  3. justino bonifácio martins
    sábado, 29 de junho de 2013 – 10:21 hs

    Fábio e leitores,
    /voces não estão achando estranho o silencio da mídia, principalmente a Globo sobre as manifestações marcadas para hoje na Boca Maldita? Hoje, o canal da RPC, que ficou focado só nas manifestaçõe, é só esporte: corrida de automóvel e volei; só circo. Por que? Porque eles sabem que as manifestações de hoje tem um cunho político diferente; hoje é uma manifestação de cunho reivindicatório exigindo do Governo Dilma e aliados que façam mudanças. Amanhã, durante o jogo, quando a direita organizar sua baderna fascista, garanto que eles vão transmitir para o Brasil, inclusive intercalando noticias durante o jogo. Cuidado com o fascismo da mídia!

  4. Palpiteiro
    sábado, 29 de junho de 2013 – 11:48 hs

    Eu adoro palpiteiros como eu. Sabem de tudo. Preveem tudo. Tudo já está definido segundo seus desejos. Besteirol. Bobajol. Na Itália, o Beppe Grillo foi desmascarado e seu movimento hoje não representa quase nada. Se houvesse novas eleições seria mandado de volta ao circo, que é o seu lugar. O resultado de longo prazo que ficou de muitos movimentos populares foi nada de nada. O próprio Cohn-Bendit reconhece o vazio dos protestos de 1968 e o pouco ou nenhum resultado disso. O resultado foi o a fácil eleição de Pompidou, que era da mesma direita de De Gaulle, porque o povo ficou assustado e levou a França mais para a direita. Sem conteúdo e sem uma proposta realista, esses gritos da rua não passam de urros de protesto e ressentimento. Vafanculo !!!

  5. Diomar Campos
    sábado, 29 de junho de 2013 – 14:58 hs

    O congresso é sim um reflexo do povo…
    Não é porque 2 milhoes foram as ruas que o pais mudará tao rapido…
    O Brasil possui 200 milhoes de habitantes…

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