Do Josias de Souza na Folha Online
Pesquisa Datafolha ajuda a explicar dois incêndios que conspiram contra a aliança PMDB-PT em torno da candidatura presidencial de Dilma Rousseff.
Os pemedebês Sérgio Cabral e Hélio Costa lideram as disputas pelos governos do Rio e de Minas, respectivamente. A despeito disso, o PT ainda não logrou retirar do caminho da dupla os petês que os atormentam.
Discorra-se primeiro sobre o caso do Rio. Os percentuais atribuídos a Cabral variam de 36% a 39% dependendo do cenário. Atrás dele vem o ex-pemedebê Anthony Garotinho, agora filiado ao PR, com índices que variam entre 23% e 24%.
Fernando Gabeira (PV), candidato dos sonhos do tucanato de José Serra, obtém entre 14% e 17%.
Mas Gabeira, agora ligado à candidatura presidencial de Marina Silva (PV), diz que vai concorrer ao Senado.
A oposição tenta empurrar para a refrega o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) –entre 12% e 13%. Por ora, ele resiste. Diz preferir o Senado.
Na lanterninha, vem o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias. No seu melhor cenário, crava 8%. No pior, 6%.
Num contexto em que a dianteira de Cabral sobre Garotinho varia entre 12 e 15 pontos percentuais, o PMDB sobe nas tamancas.
A posição de Cabral, embora confortável, não recomenda descuidos. Lula assegurara que, no Rio, o petismo iria de Cabral. Porém…
Porém, o azarão Lindberg se finge de morto. E Lula, que prometera enquadrá-lo, não moveu uma mísera palha.
Para complicar, o neogovernista Garotinho apresenta-se na TV como candidato de Lula. Declara-se Dilma desde menininho.
Assim, três candidatos oferecem palanque a Dilma no Rio: Cabral, Garotinho e Lindberg. Bom não é. Mas é melhor do que Serra, que não dispõe de nenhum.
Cuide-se agora do caso de Minas. Ali, o pemedebê Hélio Costa lidera a pesquisa.
Obtem a sua melhor marca, 37%, no cenário em que não há petistas.
Mas o PT, para irritação do PMDB, informa que haverá um petista no páreo.
Ou o ex-prefeito Fernando Pimentel ou o ministro do Bolsa Família, Patrus Ananias.
Contra Pimentel, Hélio Costa prevaleceria, hoje, pelo placar de 31% a 19%. O candidato de Aécio Neves, Antonio Anastasia (PSDB), teria 10%.
É grande a taxa de eleitores que informam que ainda não sabem em quem vão votar (23%) ou que planejam votar branco ou nulo (12%).
Contra Patrus, Hélio Costa amealha 32%. O rival petista, 12%. Anastasia permanece com 10%. Os indecisos vão a 24%.
Ninguém trabalha em Minas com a hipótese de que Anastasia, o candidato de Aécio, vai chegar à eleição patinando na casa dos 10%.
Imagina-se que Aécio, dono de invejável popularidade, fará do seu vice-governador um candidato competitivo.
Daí os apelos do PMDB ao PT. Hélio Costa estima que, chegando a 30% nos primeiros meses de 2010, Anastasia vai às urnas com a cara de favorito.
De resto, acredita que, desunidos, PMDB e PT arriscam-se a entregar a Aécio a cadeira do sucessor.
Pior: a desunião, afirma Hélio Costa, complica enormemente a situação de Dilma Rousseff em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país.
O petismo faz ouvidos moucos. O que leva Hélio Costa a entabular negociação paralela com Aécio. O governador tucanos abre os braços.
Aécio se dispõe a negociar com o PMDB-MG a vaga de vice na chapa de Anastasia ou a segunda posição de senador na chapa. A primeira, reservou para si.
Se a desavença que rói as relações do PMDB com o PT em Minas prejuidica Dilma, um eventual acerto de Hélio Costa com Aécio prejudicaria muito mais.
Vem de Minas Gerais o maior contingente de delegados (58) com direito a voto na convenção nacional do PMDB, marcada para junho.
É nessa convenção que o PMDB terá de decidir se converte ou não em casamento o acordo pré-nupcial que celebrou com Dilma.
Os pemedebês que sabem fazer contas e que já viram elefante voar acham que o PT brinca com fogo. O petismo acha que o fogo é de palha.
Os números do Datafolha são encontráveis nas páginas da Folha.




