Senadores do PMDB adotam planos para romper com o PT

De Josias de Souza, na Folha Online

Dezoito dos 20 senadores que compõem a bancada do PMDB reuniram-se num jantar. Deu-se na casa de Valter Pereira (MS), na noite de quarta-feira. O propósito inicial era uniformizar a posição a ser adotada pelo PMDB na briga pelo comando do Senado. Mas o repasto acabou enveredando para um debate sobre o futuro da legenda.

Produziram-se dois consensos. Ambos afastam o PMDB do PT:

1. Os senadores defenderão junto ao comando do partido a idéia de que o PMDB compareça à sucessão de Lula com um presidenciável próprio. Rejeitou-se a idéia de uma coligação com o PT de Dilma Rousseff. Um probema para Lula, que deseja extrair dos quadros do PMDB um vice para sua preferida.

2. A bancada peemedebista não abre mão de eleger o próximo presidente do Senado. Considerou-se fora de questão a hipótese de um acordo com o PT; Novo problema para Lula, empenhado em acomodar no comando do Senado o companheiro Tião Viana (PT-AC). A certa altura, Renan Calheiros (AL) informou aos colegas que havia telefonado para o presidente. “Informei ao Lula que é impossível o PT ganhar a presidência do Senado”. Em privado, Renan diz cobras e lagartos de Tião Viana. No jantar, porém, esquivou-se de citar o nome do desafeto.

Renan tampouco fez menção às negociações que abriu com PSDB e DEM, para pôr de pé a candidatura de José Sarney (MA).

Presente ao jantar, Sarney voltou a simular desinteresse: “Não sou candidato. Estou fora disso”.

De resto, os senadores puseram-se de acordo quanto à necessidade de desvincular a disputa do Senado da eleição para a presidência da Câmara.

Ali, o PMDB levará à consideração do plenário o nome do seu presidente, Michel Temer (SP). Nesse pedaço da discussão, Pedro Simon (RS) interveio.

Considerou que chega a ser “injusto” que Temer, com a autoridade de que dispõe, tenha de condicionar a sua postulação a condições ditadas desde o Senado.

É sabido que pelo menos três senadores peemedebistas defendem a tese de que, no Senado, o partido deveria se compor com Tião Viana.

Gerson Camata (ES), um dos defensores da idéia, não disse palavra a respeito. Jarbas Vasconcelos (PE), outro adepto da tese, não deu as caras.

E Simon, o terceiro integrante do grupo, limitou sua participação à defesa de Temer e da candidatura presidencial própria.

Sobre a sucessão, um dos presentes levou à mesa a grande debilidade do PMDB: a falta de nomes com musculatura política para arrostar a empreitada.

É algo que não parece causar incômodo. Valter Pereira, o anfitrião da noite, resumiu o sentimento geral da bancada:

“De fato, falta um nome. Mas olhemos à nossa volta. Quem é que tem esse nome? Há um único nome que se destaca dos demais: Lula…”

“…Mas essa história de transferência de prestígio do Lula para um poste não existe. No PSDB, há um embrião de candidatura. E fica nisso”.

Prevaleceu na reunião o sentimento de que o PMDB precisa cuidar da lapidação de um candidato. O nome mais mencionado foi o de Sérgio Cabral, governador do Rio.

É justamente um dos peemedebistas que freqüentam a lista de vices que Lula procura para Dilma Rousseff.

Os senadores do PMDB decidiram realizar reuniões mensais da bancada. A próxima será na residência oficial do atual presidente do Senado, Garibaldi Alves (RN), na primeira quinzena de novembro.


6 comentários

  1. Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008 – 12:15 hs

    Se o candidato do PMDB for o Mão Santa aposto que o PSDB e o Dem vão com eles.

    Não da nem pra com comparar um tiãozinho viana com o grande Mão Santa…!!!

  2. O Povo
    Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008 – 12:36 hs

    PMDB + PT = Partidos de acertos, corrupção deslavada, incompetentes, fisiologistas políticos e temos que banir estes dois partidos do cenário nacional!

  3. ronaldo
    Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008 – 12:59 hs

    O Sr. Valter Pereira virou senador pela porta dos fundos, ou seja, sem respaldo popular, era suplente. O outro, Sr. Calheiros, é o protótipo do cidadão sem ética e moralidade. É a fotografia desse partido. Não cabe comentário.

  4. Fabrício
    Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008 – 13:15 hs

    Concordo em relação ao MÃO SANTA. É excelente nome para a Presidência da República.

  5. hein?
    Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008 – 13:45 hs

    Tá maluca, menina? Se o presidente do senado for o Mão Santa, aí é que ninguém mais fala naquela zona. O velhinho agarra o microfone e não solta mais!

  6. Jose Carlos
    Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008 – 15:23 hs

    Esse é o velho MDB de guerra, pois nunca foi de guerra, mas sempre foi de velhos e velhacos… sempre pronto para abandonar a navio em primeiro lugar, como os ratos em naufrágios… Já vai deixando o apoio ao governo para negociar melhores cargos e favores para a próxima eleição presidencial, aguardando a melhor oferta.. sempre foi assim… O PMDB jamais lançou um candidato viável em eleições presidenciais diretas… Ulysses Guimarães, raposa velha e chapa branca do PSD, que foi recusado pela Arena, foi lançado aos leões uma vez, como homenagem ou, talvez, em forma de holocausto, para purgar os pecados do partido… fez um número ridículo de votos… depois disso nada… aliás, o PMDB só elegeu um presidente pela via INDIRETA no Colégio Eleitoral dos militares. Ganhou mas não levou, porque a raposa velha do PSD e do MDB, Tancredo Neves ganhou, mas quem levou foi o ex-UDN e ARENA, José Ribamar Sarney…. quem sabe agora, para melhorar o cacife ameaçem soltar o bicho-papão Mello e Silva, ou Garotinho na pista de corridas… lógico, só de brincadeirinha, para apoiar o PT ou o PSDB na próxima… o tempo passa, o tempo voa, e o PMDB velho de guerra continua o mesmo…. Viva a roça brasileira da gota serena sô….

Deixe seu comentário: