Requião tenta empinar o seu projeto presidencial como candidato das esquerdas nativas. A caterva palaciana acredita que há chances reais dele emplacar como sucedâneo de Lula.
O grande risco é que um desses escândalos que envolvem a administração ganhe repercussão além do esperado. O caso da Sanepar, por exemplo, vai testar a capacidade do governo de se livrar do imbróglio nesta quinta-feira.
O governo do Paraná passou a ser a plataforma de Requião e deve corresponder às expectativas das diversas correntes de bombordo. Nacionalista, mobilizador da população e honesto, avesso à corrupção, como exige a pequena burguesia.
Todos os gestos do governador levam em conta a platéia nacional. Especialmente a geléia-geral formada pelas mais diversas correntes que tentam restabelecer uma frente comum em torno de antigas idéias nacionalistas e um eficiente trotar populista.
É nessa toada que se explica o discurso radical do governador e o pouco caso para as injunções da política na província. Está em jogo, no entendimento da tigrada estrategista, o poder na República.
Sonha quem imagina que o Brasil tem condições de atingir a curto prazo índices de progresso dignos da contemporaneidade do mundo. Mas delira quem acredita que o Brasil deve se sacrificar para o bem da América Latina.
Com exceção dos candidatos à santidade, ninguém sofre porque quer. Nem por isso frustrações e recalques deixam de estimular as formas mais primitivas de nacionalismo e as mais tolas expressões de ufanismo.
Esvai-se o último resquício de espírito crítico e inaugura-se a busca de conspicuidade onde há mediocridade e de heróis onde há pobres-diabos.
[Publicado em O Estado do Paraná - 25/04/07]




